
150 min
Acervo: Cinemateca Nacional
Chegado ao Brasil em 1553, o padre José de Anchieta aprende a língua dos índios Tupi, elabora uma gramática, observa os costumes e classifica a flora local, evitando atritos com os colonos. Durante a intervenção francesa, negocia a paz e ocupa-se dos Tamoios, com o padre Manoel da Nóbrega. A escravatura compromete o seu apostalado, mas Anchieta converte-se em uma figura mítica.
Considerado o primeiro filme histórico do Cinema Novo, Anchieta, José do Brasil, a obra trata da biografia de José de Anchieta e do processo de miscigenação cultural. Produzido durante a ditadura brasileiro e em meio a uma tentativa de beatificação do padre pela Igreja Católica, o filme de Paulo Cézar Saraceni carrega uma ambiguidade em si: ao mesmo tempo que ele pretende se afirmar como um filme histórico, assumindo um caráter quase documental da figura de José de Anchieta, o filme assume um caráter experimental que tenta construir uma narrativa nova para os fatos históricos, escolhendo uma abordagem experimental para conduzir a narrativa, dando ao espectador momentos de alguns questionamentos sobre a história, assumindo a própria complexidade de Padre Anchieta, essa figura histórica que tanto defendeu os povos indígenas, mas não o suficiente para preservar suas identidades e liberdades.