Aleijadinho

RETÁBULO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO - OURO PRETO, Final do século XVIII

Madeira entalhada e policromada/dourada

Retábulo associado à atuação de Aleijadinho na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto. O artista também participou da transformação do frontispício e realizou elementos escultóricos e ornamentais do templo. O retábulo integra a tradição da talha mineira, na qual estruturas arquitetônicas, ornamentos e imagens religiosas são articulados em uma composição destinada ao espaço litúrgico.

Aleijadinho

Antônio Francisco Lisboa (c. 1738–1814), conhecido como Aleijadinho, foi escultor, entalhador e arquiteto, considerado uma das figuras centrais da arte colonial brasileira. Sua produção está associada principalmente às cidades históricas de Minas Gerais. Trabalhou com madeira e pedra-sabão e desenvolveu uma produção que articula escultura, talha, arquitetura e ornamentação. O IPHAN identifica entre suas obras mais importantes os conjuntos de Congonhas e as igrejas e retábulos de Ouro Preto, São João del-Rei e outras cidades mineiras.

porque a Obra faz parte do acervo?

A obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, pode ser relacionada ao tema Democracia a partir das relações entre arte, participação social, representação, trabalho coletivo, pertencimento e patrimônio cultural.

Produzida no contexto da sociedade colonial mineira, sua obra foi realizada em grande parte para igrejas, irmandades, confrarias e ordens terceiras, instituições que tiveram papel significativo na encomenda e no financiamento da produção artística do período. Essas organizações religiosas também expressavam diferentes formas de associação e pertencimento dentro da sociedade colonial, marcada por profundas desigualdades sociais e raciais.

Essa dimensão permite deslocar o olhar da figura do “gênio individual” para os processos coletivos de criação e circulação da arte. A produção atribuída a Aleijadinho envolveu oficinas, artífices, colaboradores, contratantes e comunidades que participaram, de diferentes maneiras, da construção dos espaços e objetos de devoção. Estudos contemporâneos vêm justamente questionando a imagem romântica do artista completamente autônomo e destacando a dimensão coletiva dos processos de trabalho nas oficinas coloniais.

A relação com a democracia pode, portanto, ser construída a partir de uma pergunta sobre quem participa da construção da cultura e da memória coletiva. Embora a sociedade colonial estivesse longe dos princípios de igualdade e participação política que fundamentam a democracia contemporânea, suas formas de associação, produção e ocupação dos espaços coletivos permitem discutir historicamente como comunidades constroem referências simbólicas compartilhadas.

A obra também possibilita problematizar representação e visibilidade. A sociedade mineira do período era atravessada pela escravidão, por hierarquias sociais e por distinções raciais, inclusive no interior das irmandades religiosas. Ao mesmo tempo, a presença de populações negras e mestiças na formação cultural e artística de Minas Gerais constitui parte fundamental da história dessas produções.

Assim, a obra permite estabelecer uma ponte entre produção cultural e direito à memória: aquilo que foi produzido em um contexto colonial específico tornou-se, ao longo do tempo, patrimônio compartilhado e objeto de políticas de preservação, pesquisa, educação e acesso público.

Linguagem artística

Instalações

Temas

colonialismo e colonização
religiosidade
cidadania, cidades, comunidades e urbanismo

Períodos históricos

período colonial